Fimec 2022

Laboratório de Biomecânica do IBTeC estuda pés de crianças para contribuir com as indústrias calçadistas na busca por um calce mais confortável

Brasil produziu em 2020 49,6 milhões de pares de calçados infantis, que representam 6,5% da produção total no país

Laboratório de Biomecânica do IBTeC estuda pés de crianças para contribuir com as indústrias calçadistas na busca por um calce mais confortável

Como produzir calçados bonitos, atraentes aos olhos das crianças através do uso de personagens e de toda a comunicação que atrai o público desta idade, e ao mesmo tempo buscar materiais e tecnologias que proporcionem saúde e ainda respeitando o processo de crescimento do corpo das crianças? Estas são questões que fazem parte do dia a dia das indústrias de calçados infantis.


Para auxiliar na busca de respostas, o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos - IBTeC - está realizando um estudo cientifico de medição e avaliação dos pés de aproximadamente 130 crianças em idades entre três e onze anos, para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento dos pés. A fisioterapeuta Dra. Juliana Wilborn, pesquisadora do Laboratório de Biomecânica, está à frente desta investigação em uma rede de ensino na região do Vale dos Sinos. Ela explica que “além de avaliar os pés das crianças, fazemos ainda análises de estatura e peso corporal, que nos dão informações relevantes relacionadas ao desenvolvimento motor da criança”.


Além de acompanhar o desenvolvimento dos pés das crianças, os pesquisadores do IBTeC disponibilizaram uma pesquisa realizada com os pais, “com a finalidade de identificar o comportamento das famílias quanto aos cuidados com os pés, bem como conhecer quais são os pontos mais relevantes na hora de efetuar a troca dos calçados dos filhos”, afirma Dra. Juliana.
A pesquisadora salienta o fato de que o processo de desenvolvimento de uma criança compreende diversas vivências motoras, cognitivas e sociais até que alcance a maturidade suficiente para que sua forma de caminhar esteja mais próxima de uma pessoa adulta. E neste processo de desenvolvimento ocorrem também modificações significativas nos membros inferiores da criança, tais como das estruturas anatômicas (ossos, músculos e ligamentos) relacionados aos pés.


Todas estas informações contribuirão para que o Laboratório de Biomecânica do IBTeC tenha subsídios técnicos e científicos para auxiliar as indústrias de calçados infantis no desenvolvimento de produtos com maior assertividade no calce. De acordo com Juliana Wilborn, “nosso propósito é obter dados sobre o crescimento dos pés, bem como as impressões dos pais (feedback através de um questionário sobre a forma como eles observam o crescimento dos pés dos filhos e compram os calçados), contribuindo desta maneira para que as indústrias do setor tenham informações precisas sobre as necessidades deste mercado, e que através delas possam desenvolver materiais e tecnologias que resultem em calçados que contribuam para o desenvolvimento das crianças, ao mesmo tempo que ofereçam conforto para atender esta fase da vida, onde normalmente são muito ativas”.


O Brasil é o único país do mundo que tem normas de conforto, construídas a partir de um trabalho feito junto com a Associação Braileira de Normas Técnicas - ABNT. As normas servem de parâmetro para avaliar o conforto proporcionado por um calçado.

Para certificar o conforto, o Laboratório de Biomecânica do IBTeC realiza sete ensaios, para verificar:
• Massa: leveza do calçado
• Distribuição de pressão plantar: materiais que contribuem para o equilíbrio das pressões nos pés
• Temperatura interna: aquecimento do calçado
• Índice de amortecimento: absorção dos impactos durante os movimentos
• Índice de pronação: estabilidade do calçado
• Percepção do calce: percepção do usuário
• Avaliação de marcas e lesões: machucados ou ferimentos


OS RESULTADOS DA PESQUISA COM OS PAIS
Um dos questionamentos feito aos pais foi sobre o que consideram mais importante ao comprar calçados para os seus filhos. Neste quesito, 69% mencionam que o conforto é essencial. Para Juliana, “os pais precisam estar muito atentos aos pés dos filhos, pois estes estão em constante desenvolvimento”. Os pés dos bebês por exemplo, apresentam estruturas não completamente ossificadas, o que pode, através de um calçado desconfortável (apertado), ocasionar prejuízos futuros, como deformidades permanentes, entre outros”.


Observou-se ainda que 66% dos pais declararam que têm dificuldades em determinar a numeração dos calçados adequados para os filhos. Quando perguntados sobre a frequência com que a numeração dos calçados dos filhos muda, 70% informaram que isto ocorre pelo menos duas vezes por ano. Outro fator relacionado no questionário foi sobre qual o momento exato para a troca do calçado - 55% dos pais informaram que usam o método empírico de pressionar o bico do calçado para identificar se o dedo está próximo da região anterior da biqueira (ponta do calçado).

 

ODOR É IDENTIFICADO COMO DESCONFORTO NOS CALÇADOS INFANTIS

A presença de odores provocados por bactérias nos calçados é percebida em 59% das crianças pesquisadas, segundo as respostas dos pais. Esta proliferação de bactérias geralmente é ocasionada pela alta temperatura e a umidade (suor) geradas dentro do calçado. O suor, que tem a função de fazer a termorregulação do organismo, contribui para a dissipação do calor excessivo dos pés, e está presente nas crianças com mais intensidade. “Isto está relacionado com a quantidade de glândulas sudoríparas encontradas na região do pé, explica Juliana Wilborn.


Quando os pais foram questionados sobre as marcas geradas nos pés provenientes de calçados fechados, a região do calcanhar foi a mais citada, seguida pela região do peito do pé. Segundo Juliana, “é muito importante selecionar materiais que atendam às necessidades de proteção e que sejam flexíveis”.


Diante de todos os resultados da pesquisa sobre o desenvolvimento dos pés das crianças e sobre as dificuldades encontradas pelos pais na hora da compra de calçados, “conclui-se que é muito importante desenvolver calçados com atributos de conforto e funcionalidade, que atendam às necessidades e exigências de cada etapa do desenvolvimento da criança”. Juliana ratifica ainda que “para atender a este atributo de desenvolvimento, é importante que as medidas do calçado estejam em harmonia com a morfologia dos pés, proporcionando maior assertividade do calce e reduzindo possíveis reclamações, além de contribuir para a saúde.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa IBTeC

 

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